quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Tempo


  O Tempo vive num limbo. A dúvida, a constante dúvida que o seu universo omnipresente guarda nos escaninhos é complexa: o Tempo é bom ou mau?
                                                                                             Foto de Jorge Santos
  Ele conhece bem os defeitos e qualidades; poucos têm, consigo próprios, tamanha intimidade há tanto tempo. Procura ser gentil, magnânimo: com ele, tudo cura, tudo passa, tudo melhora, tudo ajuda. É bom conselheiro. Presente em todas as ocasiões de todos os seres.
  Uma destas alvoradas, no início dos frios e das chuvas, o Tempo soube que perdera, para sempre, vítima de doença, parte do seu próprio tempo. E sofreu, chorou. E continua nessa agonia que dá dó. Ele, que tudo cura, ou não seja o Tempo, vê-se agora, sozinho, e não há no universo quem lhe conceda o que só ele dá aos outros: tempo.