Escondem-se das pombas e de todos os animais que transportem dignidade no olhar. Contornam as bazucas, percorrem Ceca e Meca, sempre de costas voltadas para o sol; enrolam-se sobre si próprias. Claro, tanta flexibilidade é fruto da inexistência de coluna vertebal! Pois assim a minhoca chegou aonde quis.
A terra, húmida e fria, parece ter sido feita para ela dar azo às convicções simuladas.
A terra é dela.
E o mundo não será um grande amontoado de terra, cercado pelo mar?
( Foto Google)
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Espreitar
Entre o remoinho das luzes, nas centenas de centelhas que dão brilho ao mundo, alguém espreita através de um furo que demorou uma eternidade a construir. Encosta-lhe o olho, ansioso.
As marionetas movem-se, agarradas por engonços e fios coloridos.
Um gigante, com gravata de seda e fato Armani, puxa-as, orientando-lhes caminho, actos e pensamentos.
O que espreita consegue ver o tal mundo; de fora para dentro. E não gosta do que vê.
Se gostasse, por certo não encolheria os ombros, após um esgar de resignação.
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