Fechou o livro suavemente; há quase três semanas que ele embelezara-lhe os serões, por norma, risíveis e monótonos. Cerrou os olhos, de onde fugiu um lágrima apressada, e recostou-se na velha poltrona de pele. E suspirou. Um lamento melancólico chamado saudade. Afinal, findara uma relação de amizade com um companheiro ímpar. Um livro? Sim, um livro!Tal como as pessoas, único e inimitável.
Abriu os olhos. Devagarinho. Olhou à volta e sobressaltou-se! A saleta estava profundamente alterada. Toda ela era o cenário do capítulo último do livro . Para onde tinham ido os sofás, os armários, as mesas de apoio? Até o abajur grená da tia Natércia tinha desparecido. Agora, via uma enfermaria, de uma tonalidade branca que até cegava, onde dois amigos acabavam de separar-se para sempre. Apertou os olhos com a ponta dos dedos e voltou a abri-los. Ah! Afinal estava lá tudo! A pequena sala voltou à forma original. Ela é que ainda não tinha sido capaz de sair da história que a preencheu por completo, durante as últimas semanas.
Magnifico!
ResponderExcluirAssim me sinto eu, com a mais bela e preciosa leitura. Ao que tive o privilégio de ler, amar, sorrir e até chorar com toda a minha alma!
Agora que o terminei de ler, sinto-me preenchida de algo que ficou guardado no livro. A minha forma Original. A que está dentro dele. E sempre que sinto o vazio da saudade, abro-o e recomeço-o a ler, com todo o prazer da primeira vez.
Excelente livro, Jorge Santos!!! O Vã Procura".
Beijinho.