segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Zanga

  Zangados, o sol e a lua, ameaçam-se. Lançam as mais ferinas expressões. Há burburinho sobre as nossas cabeças, sem darmos conta. Todos sabem que, entre os dois, há uma paixão irrefreável, não assumida. Só nos dias dos santos eclipses, é que trocam beijos à socapa; ambos são demasiados orgulhosos, não confessam nem saciam a paixão. E, por vezes, há uma estrelita mais atrevida, um cometa marialva, que "encostam" demasiado. Pronto, o ciúme aparece veloz, vindo do nada.
  E quando desalinham, perdem o encanto, o feitiço. E discutem de língua afiada. Sentindo a desordem emanar, as nuvens ocorrem, para ajudar a pôr fim à luta de palavras entre a lua e o sol.
  E quem sofre são os pescadores do molhe, que ficam sem raios de sol, sem luar e com imensas nuvens, que turvam o ambiente e dificultam a tarefa da sua luta com os peixes.

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