quinta-feira, 23 de maio de 2013

Passado



  A voz cavernosa do Passado perseguia-o; todos os dias, a todas as horas, estivesse acordado ou a dormir.
  Sussurrava-lhe ao ouvido: "O Futuro não existe sem mim!".
  E na imensidão das noites sombrias, ele tentava matá-lo. Ao Passado. A tiro, à faca e até ao esquecimento. Nada!
  O Passado sabia esconder-se muito bem, era perito em ficar atrás, escudando-se em Desejos defeituosos, Ilusões histéricas ou Sonhos ensonados.
  Ambos sabiam que teriam de ajustar contas. E, ao invés do que o Passado dizia, ele teria de o destruir, de o esmagar, para seguir o seu rumo. Até lá, não veria o Futuro. Mas não queria viver sempre num Presente condicional.

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