segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Amor

  Mão na mão, percorremos a distância, iguais aos que correm atrás dos sonhos. Viemos de longe. Tínhamos fome e sede. Sentados à mesa, nas cadeiras metálicas e inconfortáveis da esplanada, serviram-nos cerveja, pão e azeitonas. Todavia, não comemos com o entusiasmo que acompanha os que  têm fome. Estávamos ansiosos. Apressados. Olhámos para cima;  na varanda do primeiro andar estava, ali mesmo, o motivo de tanta inquietação. Da nossa inquietação. Que fez-nos comer rapidamente e mal.
  Pendurado na varanda, como um gato. Sorria . O Amor. Era ele que atirava pedaços de pressa contra nós. Comemos e bebemos com a rapidez dos desesperados a fugir do desespero. E subimos ao primeiro piso. Queriamos agarrar o Amor. Juntá-lo a nós.
  Tanta era a rapidez e a ansiedade que, ao pegarmos no Amor, na varanda, descuidámo-nos e deixámo-lo cair. Estatelou-se lá em baixo, junto ao pedal de uma bicicleta de criança que estava encostada à parede. E partiu-se todo!
  E nós ficámos debruçados, em agónico choro, a ver um Amor morrer, à porta de um café de estrada.

2 comentários:

  1. -Tudo começou bem. Arrastada pelo entusiasmo devorava a história...Eis senão..., derruba-me aquela reviravolta final! O meu coração parou; por milionésimos de segundo, parou! Se demorasse mais, outra história lhe contaria agora. - Mais cuidado!, exige-se mais cuidado ao pôr as mãos em coisas tão preciosas e frágeis como o Amor... Agora, choram...Enquanto me refaço do susto.

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  2. A nossa história é assim

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