quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Ausência

   A ausência é uma das piores presenças; pior mesmo, só a perda. Esta é, a perda, uma presença sem presente. Cheiínha de passado e com o futuro interrompido, ou, quiçá, situado numa galáxia de sinal contrário à eternidade; logo, impossível de encontrar. Porque o impossível existe. Ninguém sabe onde está, mas tem cheiro e faz sombra.
  Na minha ausência, o presente multiplicou-se. Complicou-se? Também, se calhar! E o futuro continua nas estrelas! Agora, tenho de agarrar com os dedos, como se fossem garras, as estrias do velho presente. E puxar, puxar. Até sangrar. Por dentro e por fora.
  
  

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