terça-feira, 25 de junho de 2013
Funeral
O Homem Que Não Tinha Amigos morreu.
Foi a homicida Solidão! Num dia frio de Novembro entrou-lhe, sorrateira, nos neurónios e trocou o polo positivo com o negativo. Curto-circuito! E foi o fim.
Não tinha amigos o Homem Que Não Tinha Amigos, pelo que o funeral não foi um festim e momento de reencontro dos desavindos. Como é costume.
Foi, realmente, um funeral.
O padre, o seu ajudante, ou sacristão, como preferirem, e uma filha que nem é "de sangue" foram os assistentes e testemunhas da cerimónia.
E quando o féretro, na carreta, avançava rumo ao cemitério, passando em frente à casa que fora do Homem Que Não Tinha Amigos, junto à porta, sentados, com uma pose séria e ar sorumbático, em vez da habitual arrogância e do cinismo dos seus focinhos, os tês gatos que foram dele: o "amarelo", o "mesclas" e o "negrão".
Pareciam querer dizer adeus ao dono. Um adeus, este sim, eterno.
O padre, o sacristão e a filha que não era "de sangue".
E os três gatos.
O Homem Que Não Tinha Amigos foi a enterrar.
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